Kestão ou Cuestão – Eis a Questão

A língua portuguesa é, sem dúvida, uma das mais belas línguas do mundo, pois permite que nossa expressão seja feita de muitos modos, diferentemente do inglês (I love, you love, we love, etc.). O problema é que são muitas regras, o que acaba por confundir a maioria dos brasileiros.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990 – e que passou a vigorar no Brasil a partir de 1º de Janeiro de 2009, veio para retirar algumas dessas regras, de modo a simplificar a escrita de muitas palavras. Alguns itens que constam nesse acordo são: inclusão das letras k, w e y, mudança na regra de acentuação de algumas palavras e a exclusão da utilização do trema (¨) nas palavras de língua portuguesa (ele será utilizado somente nas palavras estrangeiras).

E é sobre esse sinal que desenvolverei esse texto, notadamente para a palavra questão.

Lembro-me bem da primeira vez que ouvi a palavra questão, com sua pronúncia alterada devido à utilização do trema – que, nesse caso, virou qüestão (leia-se cuestão). Foi dito por um professor meu do 2º ano. Nesse instante, percebi que a sonoridade da palavra não ficou muito boa. Ele só falava qüestão pra cá, qüestão pra lá, etc. Depois disso, fiquei alguns anos sem ouvir tão esquisita pronúncia de uma palavra tão simples.
Kestão ou Cuestão - Eis a Questão
Agora, tenho percebido que o “cuestão” ficou tão comum como o gerúndio (que o prezado leitor está lendo no texto que estamos escrevendo, hehehe). Imagino que as pessoas acham que “cuestão” é chique, assim como levantar o dedo mindinho (ops, mínimo) quando se toma alguma bebida numa taça. E quando digo comum, é comum mesmo, principalmente no meio corporativo – as pessoas enchem a boca, notadamente em uma apresentação, para falar um “cuestão”…

O trema era utilizado para identificar o “u” que segue as letras “g” e “q” e que não são mudos. Questão sempre foi pronunciada como “kestão”, e não “cuestão”. Procure no Grande Oráculo, e se você encontrar a palavra questão com trema, certamente sua ocorrência será mínima. É claro, pode ser que as mesmas pessoas que sempre falaram “cuestão” possam ter escrito na net questão com trema.

Imagino que as pessoas que inventaram essa moda foram as mesmas que criaram o verbo consensar :D (que também não existe).

Faça outro teste: abra o MS Word, que ainda não possui o dicionário de acordo com o novo acordo gramatical, e digite qüestão e aguentar, e veja o que ocorre, hehehehe.

Observação: o acordo ortográfico de 1990 é meramente ortográfico, não afetando a língua falada. Portanto, com ou sem trema questão continua “kestão”.

E se você, estimado leitor, também ouve “cuestão” o dia todo, e discorda dessa pronúncia, mas também fica acanhado em dizer para a pessoa que tal pronúncia não existe, indique esse artigo para ela. Você fará um bem, tanto para a língua portuguesa, quanto para os nossos ouvidos.

6 Comments

  • Nilton disse:

    Ouça a música de abertura da novela babilônia da tv globo, cantada pela Martinália, ela pronuncia cuestão ou invés de kestão, isso me dá nos nervos desde que ouvi pela primeira vez, mas só agora, 28/08/15 – 6af durante a exibição do último capítulo, decidi fazer a pesquisa e achei esse texto. Caso ache oportuno, notifiquem-os desse equívoco fonético. Rsrsrs…

  • Eron disse:

    Na verdade, alguns dicionários (como o Houaiss) reconhecem as duas formas. Se você consultar o VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa no sítio da ABL, encontrará também as duas formas.

  • André Vale disse:

    É isso que o Eron falou: o próprio VOLP da Academia Brasileira de Letras diz que estão corretas tanto a pronúncia kestão quanto cuestão. O Houaiss, o Michaelis e o Aulete dizem o mesmo. Errado, portanto, é dizer “qüestão” está errado.

  • É isso que já disseram o Eron e o André aqui em cima: todas as edições do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras e do Dicionário Houaiss antes da reforma ortográfica traziam tanto questão quanto qüestão, com e sem trema. E as edições do Houaiss e do VOLP pós-Acordo Ortográfico continuam ensinando que as duas pronúncias são corretas. Estão, portanto, corretos o seu professor, a Martinália e todos que falam cuestão (e que escreviam qüestão, antes da queda do trema).

  • Angela Conde disse:

    Eu estudei na década de 60 ouvindo a pronúncia cuestão de todos os meus professores. Lembrei agora da música de Ataulfo Alves, cantada na voz de tantos cantores famosos, Mulata Assanhada, lá se usa a pronúncia cuestão como em tantas outras músicas. Se vale as duas, cada um pronuncia como aprendeu e isso não quer dizer que assassinou a Língua Portuguesa, ou como se dizia na minha época de primário, a Língua Pátria
    . De todos os erros o que sempre mais me incomodou foi a palavra “menas”, isso sim, me tira do sério, rsrs. Abraços!

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